2012 is here! Hoorrraaayyy!

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O ano novo chegou preenchendo a maior parte das minhas expectativas. Parte do meu visto veio e eu sou parcialmente livre agora. A primeira coisa que fiz foi achar um emprego mais ou menos que me reintegre à realidade de forma suave. Penso em ficar nesse emprego por entre 6 meses e um ano, enquanto ponho minhas finanças em ordem e me preparo para novos desafios. Tenho algumas portas se abrindo para mim na área química… Estou me preparando, mas o futuro é tão sólido quanto areia movediça em meio à névoa.

Notei que ultimamente tenho suicidado minha vida social. E a pior parte é que não ligo muito pra isso. É parte do efeito que o inverno tem em mim; inverno que esse ano está particularmente frio e louco. Efeito da La Niña, eles dizem. Tudo que quero fazer quando chego em casa do trabalho, e também nos meus dias de folga, é sentar na minha cadeira preferida em casa e ler e escrever. E claro, começo esse ano com dois livros muito bons, que merecem ser recomendados:

– Oil – Upton Sinclair (Procurei no Oráculo – meus amigos livreiros sabem do que falo – e não achei a tradução em português, desculpe).

O livro foi escrito em 1926 e as idéias que ele contém não poderiam ser mais modernas. É o retrato de uma sociedade, de uma época e também as causas de consequências que vemos claramente hoje. Mais do que isso é a história de pai e filho. O pai, um milionário que se fez explorando petróleo. O filho, um menino que cresceu assistindo negociações, corrupção, pobreza, enquanto ele desfrutava de riqueza. O filho cresce e questiona. Ele é você. Você e eu. Confusos com conceitos maiores que nós…

Um dos melhores livros que já li. Ficção.

Tem um livro que se diz baseado nesse livro. O filme se chama “There Will Be Blood” e é decepcionante. Alguns dos personagens são baseados no livro, mas mais seus nomes e parentescos do que suas personalidades. A história é COMPLETAMENTE diferente.

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O segundo livro, foi a avó do A. que ofereceu me emprestar porque ela achou que ia gostar. Eu li porque ela quis me emprestar, mas também porque achei que seria um bom descanso mental do livro Oil. No fim, não foi descanso, mas quase continuação.

– The Help ( “A Resposta” – Kathlyn Stockett)

Uma história sobre racismo (especialmente no Sul dos Eua) nos anos 60. A história toma a perspectiva de duas domésticas negras trabalhando pra famílias brancas. E também a perspectiva de uma mulher branca, que não entende a segregação, embora a tenha aceitado sem questionar pela maior parte da sua vida.

É um filme também, bem fiel ao livro, embora como sempre o livro seja melhor.

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Uma das minhas resoluções desse ano é escrever mais pros meus amigos. Se eu não tenho seu endereço, por favor, me mande no e-mail: overjinx@gmail.com, obrigada!

Boa segunda!

 

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3 livros, de novo.

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Lar novo (que finalmente consigo chamar de lar), inverno e tea pot novo resultam em ficar mais casa, ler mais, escrever mais…Então, pra refletir com mais precisão, aqui vai outra lista de 3 livros que recomendo:

-Shantaram – Gregory David Roberts;

Esse consumiu o meu primeiro mês na casa nova e me prendeu tanto que quando terminei de lê-lo não sabia o que fazer comigo mesma e senti saudade dos personagens como sinto da minha própria família.

O livro é semi-auto-biográfico, o personagem, assim como o autor escapou uma prisão de segurança máxima australiana e fez o seu caminho até a Índia. Na Índia ele morou na favela e virou médico da favela (mesmo só tendo um curso de primeiros socorros), se envolveu com a máfia e até foi pra guerra em países vizinhos.  (…) Não dá pra falar muito mais. O autor mostra a cultura indiana de uma forma tão vívida e incrível que não ha quem não pegue “o bicho da viagem” ao ler este livro.

Honestamente um dos melhores livros que já li com doses suficientes de realidade e ficção, poesia e filosofia.

-Beat the Reaper (SINUCA DE BICO (!??))-Josh Bazell

Ficção. Bom entretenimento. Uma mistura de Dr. House e Poderoso Chefão, bem escrito, embora dê a impressão de que o autor escreveu o livro com ambição de que vire um filme (cheio de sangue e difícil de manter os olhos na tela).

Pra ser honesta, eu não saberia dizer um pouco desta história sem contar alguma parte importante.

-The Art of Racing In the Rain (A Arte de Correr Na Chuva)-Garth Stein;

Ficção, dup! Escrito do ponto de vista de um cachorro (filósofo). O livro é muito interessante e muito bem escrito.Triste.Vale muito a pena ler.

Enzo é o cachorro de um piloto de carro de corridas, Denny, que está tentando virar profissional. Em seu tempo vago, Enzo assiste fitas de corridas antigas e pensa na vida, esperando pela próxima encarnação em que ele acredita, finalmente se tornará humano e terá polegares opositores e uma língua que serve pra mais do que esparramar a água da tigela.

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E eu vou tomar outra xícara de chá e ler um pouco mais…

 

Wintry mind

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As far as I know, in life, sometimes you rule and sometimes you take a beating (and everything in the middle, you forget). Well, I’ve been taking a serious beating down! But I am not here to complain… I can take it! Actually I think this an excellent time to review everything, EVERYTHING! Down here, in the mud,  I have very little to lose and am free to change it all.

I am not a surpersticious person and was told – jokingly – that certain things (such as “What else now?”) shouldn’t be said outloud. I am really not afraid, I am interested! Life can be as creative as it can be cruel in its “punishments” and I want to see how far this one is going to go just as much as I want to stop it. Just as much as I want to turn everything around.

My childhood friend, that I met again thanks to online social media, told me “A paciência é amarga mas seus frutos são doces.” (“Patience is bitter, but its fruit is sweet” – Jean Jacques Rousseau). To admit this would be like believing – having faith – in something and I don’t, although I crave to be able to. Patience, to me, is not a virtue, it’s a manifestation of stubbornness!

A Todos, a vosotros

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A TODOS, a vosotros,
los silenciosos seres de la noche
que tomaron mi mano en las tinieblas, a vosotros,
lámparas
de la luz inmortal, líneas de estrella,
pan de las vidas, hermanos secretos,
a todos, a vosotros,
digo: no hay gracias,
nada podrá llenar las copas
de la pureza,
nada puede
contener todo el sol en las banderas
de la primavera invencible,
como vuestras calladas dignidades.
Solamente
pienso
que he sido tal vez digno de tanta
sencillez, de flor tan pura,
que tal vez soy vosotros, eso mismo,
esa miga de tierra, harina y canto,
ese amasijo natural que sabe
de dónde sale y dónde pertenece.
No soy una campana de tan lejos,
ni un cristal enterrado tan profundo
que tú no puedas descifrar, soy sólo
pueblo, puerta escondida, pan oscuro,
y cuando me recibes, te recibes
a ti mismo, a ese huésped
tantas veces golpeado
y tantas veces
renacido.
A todo, a todos,
a cuantos no conozco, a cuantos nunca
oyeron este nombre, a los que viven
a lo largo de nuestros largos ríos,
al pie de los volcanes, a la sombra
sulfúrica del cobre, a pescadores y labriegos,
a indios azules en la orilla
de lagos centelleantes como vidrios,
al zapatero que a esta hora interroga
clavando el cuero con antiguas manos,
a ti, al que sin saberlo me ha esperado,
yo pertenezco y reconozco y canto.”

Top 3, livros.

Destacado

A conversa na mesa de café-da-manhã foi aos quatro cantos do mundo. Viajou mares e até o além-vida e voltou, humildemente, como sempre volta ao cotidiano. Em um certo ponto falávamos de livros e eu decidi que seria uma boa idéia recomendar meus favoritos dos últimos tempos (três meses?!)…Escreverei essa lista sem ordem específica de preferência.

Defendo ainda a literatura e sua importância. Enquanto a não-ficção crua, nos leva direto ao ponto e, ainda que possa ser poética, tende a ser prática, a literatura fictícia explora e brinca com o fato de todos nós entendermos o mundo de maneira diferente e, por isso, nos traz à realidade vestida nas suas melhores (e piores roupas) e de forma modesta, nos apresenta problemas, fatoes, teorias e idéias que não levaríamos em consideração ou teríamos paciência pra pesquisar em outras circuntâncias. Isso tudo, além de exemplificar a poesia de todas as coisas.

Vamos à lista (os nomes em português talvez sejam diferentes, procure pelo autor):

– De Niro’s Game (Rawi Rage)

A história de dois amigos de infância crescendo no Líbano durante a guerra civíl. Além de ser informativo ( o que você sabe sobre a guerra civíl Libanesa honestamente?), o livro é ridiculamente bem escrito, um dos melhores na minha opinião. O que eu gosto nele é o jeito que o autor escreve quase que por livre-associação. Por exemplo, o personagem vê uma certa coisa e uma certa cena e isso o remete à … que o remete à… que lhe faz pensar em…. E tudo faz perfeito sentido. Leia em uma tarde quieta. É muita informação em cada parágrafo.

– Little Bee (Chris Cleave)

O que eu não gosto sobre este livro é como na capa e na ante-capa eles lhe apresentam a história “a história de duas mulheres que se conheceram no dia que mudou a vida das duas” ou qualquer coisa do tipo. Não, a história não é sobre isso. A história é sobre uma menina Nigeriana tentando imigrar (ou refugiar-se) na Inglaterra.  O livro é escrito na perspectiva de duas mulheres com vidas e idéias completamente diferentes ao redor de uma história comum.

– Dali & I (Stan Lauryssen)

Biográfico, este livro não é uma história, é uma confissão. Risadas são garantidas e também uma noção geral do mercado de arte internacional e suas consipirações e fraudes.

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Tenho mais laguns pra essa lista, mas eu vou deixar pra depois porque estou escrevendo isso pra procrastinar a tarefa em mãos: empacotar a casa.

Algumas palavras sobre o livro que estou lendo, só pra completar este post.

-As we forgive (Catherine Larson).

Não estou gostando. O livro é catalogado como biografia e enquanto a premissa é interessante, o conteúdo é duvidoso. A autora coletou histórias na Rwanda depois que, em 2003, mais de 40000 presos foi liberados pra voltar pras suas antigas vidas e vilas. Esses criminosos foram, em 1994, os responsáveis pelo genocídio de 50.000 Tutsis. Agora, a população tem que aprender a conviver e recuperar a harmonia.  As histórias contadas no livro são enauseantes e tocantes, uma vez que pessoas que tiveram suas famílias mutiladas, estupradas e abusadas, conseguem pouco-a-pouco, olhar nos olhos de seus malfeitores e dizerem “eu lhe perdoo”, o que libera a vítima do passado e permite aos malfeitores se sentirem dignos de futuro. O que não é interessante nesse livro é que entre as histórias, a autora põe capítulos com as próprias reflexões de uma forma acadêmica e chata. Apesar de em alguns poucos capítulos ela introduzir conceitos interessantes e válidos sobre justiça e paz, nos outros ela parece simplesmente estar a converter o leitor ao Cristianismo.Li 2/3 do livro e quero terminar só pra poder ler outro melhor…

Mas enfim. Empacotar!

Hacia el Sol

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É incrível os lugares que chegamos quando não estamos tentando chegar a nenhum lugar em particular. … Hoje foi um desses dias em que você amanhece empolgado pra fazer algo, mas uma sucessão descabida de eventos lhe impossibilita e do alto de sua raiva e/ou frustração, você quer jogar tudo pro alto, mas tudo o que?! …É só um outro feriado, você se lembra, e realmente não importa porque todos os dias têm sido feriados e as horas e o tempo nunca fizeram menos sentido. Então você se acalma, respira. E ao respirar sente um cheiro fresco, quase reconhecível. Cheiro de tranquilidade. Aroma que já foi constante, mas que se perdeu em meio à sua montanha-russa entre claro e escuro. Aromas não precisam de claridade. Aromas só precisam que se respire e que se calem todos os outros sentidos.

Uma caminhada de três horas sob o sol e o caos ordenado de sua mente se reestabelece. Serve pra lhe lembrar que movimento é mais do que importante, é vital. Também que recorda de que o sol está aqui hoje, mas que nos próximos meses ele vai estar escondidinho e não vai se revelar pra recarregar-lhe as baterias. É importante lembrar-se que o sol vem e vai independentemente de necessitarmos dele. Assim como as pessoas, as situações e as burocracias.

New home

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Ok, eu perdi o hábito de escrever no blog…

Mais três semanas eu mudo de casa de novo, pela segunda vez em 3 meses. Da primeira vez  isso significava não trabalhar mais como babá, além de ter certas liberdades, mas ainda não significava me sentir completamente à vontade uma vez que mudei pro apartamento do Armand que era ótimo pra ele, mas pequeno para nós dois, ou melhor, para nós três, uma vez que ele tem uma filha que passa metade do tempo conosco.  Enfim a história de como encontramos a casa perfeita para nós é longa e cheia de coincidências, mas vamos dizer que a casa é perfeita para o agora e que não nos esforçamos, ela simplesmente aconteceu. Estou muito feliz e muito empolgada e cheia de projetos. Reusando e recriando tudo que temos!

(Telhado plano não é uma boa idéia aqui. Oh well. Ômega é o nome da montanha ao fundo.)

Pedalar…

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Não é surpresa para ninguém que me conhece que eu tenha me reencontrado no ciclismo. A minha paixão por bicicletas vem de muito tempo atrás desde que nem eu me lembro. Sempre foi um dos meus passatempos preferidos quando criança e ainda não encontrei invenção mais simples e mais genial. Genial pela simplicidade, mas também pelo propósito: ir à lugares, movimentar-se.

Quando vim para o Canadá, meu amor por bicicletas tomou um rumo antes inimaginado. Realmente eu não entendia as extensões do esporte em si e muito menos a suas possibilidades. Hoje, como foi o basquetebol no passado, o ciclismo é minha válvula de escape. É o meu jeito de me comunicar com os deuses do Universo. O meu jeito de rir e de chorar sem nenhuma lágrima. O meu único modo de transporte, o meu passatempo, o meu lazer e, em parte, o que põe comida na minha mesa.  De vez em quando por trabalhar na bicicletaria, sinto-me demasiadamente pressionada a pedalar, a ser mais forte, mais rápida, mais eficiente, mas habilidosa e, por isso de vez em quando fico uns dias, ou uma semana, sem pedalar, mas quando me “forço” a sentar no banco da bicicleta e pedalar sem rumo tudo se explica, tudo se encaixa.

Porque pedalando é que eu não só descubro lugares como estes (abaixo), mas como eu aprendo cada detalhe do terreno e me sinto mais em casa!

Road riding by Galileo Coffee at Britannia Beach

Mountain Biking – Room with a view

Desafio musical

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Pelo Facebook, pessoas estão fazendo esse “Desafio Musical de 250 dias”.  Sei que não cumprirei uma coisa desses (lembrar disso todos os dias… tem dias que eu tenho mais o que fazer), mas achei a idéia interessante e postarei aqui, um pouco de cada vez. Embora eu ache que a escolha das músicas dependa do meu humor… Comprometo-me a postar a primeira música que me ocorrer quando eu ler o tema. Livre-associação… Vamos lá!

1 – Uma música que te lembre a sua infância


2 – Uma música que você ache engraçada


3 – Uma música que te faça dançar

4 – Uma música que você saiba a letra toda

(Eu gosto de decorar letras… então essa vai ser uma escolha arbitrária)

5 – A música com um dos seus solos preferidos

(solo de bateria..um simples e bem executado)

6 – Uma música da sua banda preferida

(Banda preferida?! Ai ai! Eu não gosto de comprimissos assim!)

7 – Uma música que você ame a letra

8 – Uma música que não tenha letra

9 – Uma música que você odeie

(my house is a Justin  Bieber free zone!)

10-Uma música que você quer apresentar as pessoas

(essa me lembra meu irmão!)

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Mais um pedacinho da minha alma pra vocês.

Surreal weekend

Destacado

Ainda estou me adaptando a nova vida, embora com uma atitude muito mais positiva e ando simplesmente mais alegre desde que tirei aquele fardodos meus ombros. Esse fim-de-semana foi surreal e uma otima abertura para uma semana promissora… Comecou com um passeio pra Vancouver. Jantar ao som de boa conversa e planetarium… Pink Floyd e lasers!!! No dia seguinte uma nova trilha de bicicleta e uma festa de aniversario com excelente banda ao vivo e que acabou numa casa diferente da que comecou. Uma festa que terminou com os caras do Paperboys tocando com os mais talentosos ze-ninguens enquanto ze-ninguens como eu, cantavam ferozmente a cada letra de cada musica. No sonolento dia seguinte, fui presenteada com um voo surpresa pela regiao que moro. Um voo num aviaozinho soh pra suas pessoas…

As vezes imagens falam mais que palavras e, outras vezes, as palavras tem preguica de tentar dar a intensidade dos momentos. Aqui vao algumas evidencias:

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Countdown!

Destacado

Ahh! Escrevi infinitos textos em minha cabeca durante o dia e eram cheio de poesias e reflexoes e ideias… mas eu nao tenho a menor vontade de compartilha-los. Soh vou lhes deixar com uma coisa bem simples: faltam apenas 10 dias.

Esta jornada transformou-se tantas vezes que eh quase inacreditavel seu fim, ou comeco, dependendo do ponto de vista.

10…

Self boycott, tetris and the whole wide world

Destacado

Tornando-me uma excelente jogadora do Tetris da Vida. Não foi (ou está sendo) um dia necessariamente feliz ou triste ou que vou me lembrar por muitos anos, mas um dia útil de riscar infinitos itens de infinitas listas não escritas. Um dia to get on with.

Um dia ensolarado (e o primeiro dia quentinho do ano) que eu boicotei em favor do progresso. Não, não progresso… em favor do futuro. Em favor do desconhecido. Em favor do que não está ou é porque é muito mais interessante do que o que aqui já(z) é.

O mundo inteiro pela frente e um labirinto na minha cabeça.

Madness, chaos and random pieces of paper

Destacado

Sei que poderia fazer tudo num dia soh, mas o prazer de fazer as coisas aos poucos eh que me sinto progredindo todos os dias (ajuda a conter a ansiedade). Permite-me saborear cada descoberta de recibos ou de uma carta a muito esquecida (uma que eu nao mandei)…

Ahhhh, o prazer de estar no conforto da propria mente e ter hora marcada pra esquecer-se em si.

Boxes and suitcases

Destacado

Poderia escrever um texto por dia nas proximas semanas e poderia ter escrito na ultima semana. Os pensamentos sao diversos e cheios de certezas incertas. As acoes sao constantes e o humor flutua numa montanha-russa com subidas rapidas e intensas e descidas vagarosas e torturantes. Coisas tao pequeninas essas que me alegram e ainda mais diminutas as que me tormetam…

‘E tudo tempor’ario!

Coincidencias estranhas… todas as coisas  que foram admiradas sem nenhuma inveja ou ambicao sao `a mim entregues como se sempre tivessem me pertencido. ‘E estranho como um deja-vu. Sera’ que de alguma forma, uma parte de mim sabia o rumo que as coisas iriam tomar?! Ou sera’ que tenho mesmo essa sorte?! E como lidar com a gratidao?!

43cm later… I ‘ll be leaving her behind.

Landmark

Destacado

Sabe quando voce pede informacoes sobre um caminho e alguem lhe diz alguma coisa como ” Vai reto ate voce ver uma placa amarela, dai vira `a esquerda” … e voce anda, anda, anda… e comeca a pensar que lhe falaram a cor errada e fica tentado a virar na placa verde… mas continua reto, anda mais…. esquece pra onde esta indo… ateh que FINALMENTE ali, 100m a sua frente a tal placa amarela e a rua que vira `a esquerda! Que alegria! Que vontade de correr ateh la, ainda que nao seja a linha de chegada, apenas um marco no caminho, apenas a lembranca de que a linha de chegada existe.

…13 de maio, traga-me mudancas!

Good bye and thanks for all the fish.

Adele

Destacado

Ja postei alguma coisa da Adele aqui? Ou mencionei que sou viciada na voz dela?

Aproveitando uma manha vagarosa de pijamas ao som da voz dela…

Musica aleatoria… eu adoro o cd ” 19″  inteiro.

Charlie Chaplin… 122 anos de existencia. Ah, se a maquina do tempo existisse… eu lhe dava um abraco e lhe agradeceria!

Saturday shift

Destacado

” A moral eh tambem um questao de tempo”

Mais um dia de trabalho morto no sex shop.

…Anestesiada. Eh assim que me sinto quando olho as infinitas pinturas e fotos artisticas espalhadas pela parede em pseudo bom gosto. Indiferente as milhares de confidencias que ouco sem voluntariar-me pra ouvir. .. A minha tarefa de hoje era gerar conteudo para twitter feeds e blog posts. Posso sempre me esconder atras do veu “eh minha segunda lingua” e procrastinar a tarefa… sexo nunca foi um mercado prim, entao ao inves de tentar vender produtos pelas ferramentas virtuais, prefiro promover informacao e informacao e conhecimento nao sao coisas adquiridas de um minuto pra outro e assim prontos pra passar adiante. Demora, exige pesquisa, nao sabe de quantidades…

O dia la fora segue azul e aqui dentro o cafe eh amargo. Nao me entendam errado… eu gosto dos meus ocasionais “bicos” aqui. Eh uma situacao social tao estranha e desconfortavel que faz voce sentir que se voce conseguir lidar com alguem aqui, consegue lidar com qualquer umem qualquer lugar. Tambem eh um excelente laboratorio pra observacao d expressao corporal…….mas o sol brilha la fora e eu ja nao quero estar dentro de lugar algum, olhando pra tela nenhuma.

So long.

Desobediência

Destacado

Os ritmos são diferentes; dos passos de dança, do pedalar da bicicleta, do viver O-Que-Quer-Que-Seja. Mudou-se o peso, alterou-se a gravidade das coisas. As Leis Essenciais – que assim foram chamadas por um alguém qualquer – já deixaram de ser. Liberdade presa numa cela de papel, pintada com giz de cera. A brisa soprando lá fora, estremecendo estruturas precárias e desnecessárias, imaginadas por uma mente infeliz e cheia de impossibilidades.

Um pedaço de madeira estala sob meus pés, calçados em sapatos que não me levaram onde eu queria ir; que descartáveis, serão clandestinamente guardados em alguma gaveta obscura da memória para só sairem submetidos à hipnose. O barulho desperta um senso de euforia antes desconhecido. E o reconhecimento do desconhecido (por paradoxo que seja) obriga-me à pausa e contemplação. O momento passa e tudo continua indenpendentemente das minhas pausas e sensações, independente das minhas epifanias, que verdadeiramente, se seguissem o real sentido da palavra seria sempre usada no singular.

Os ritmos são diferentes mas nada mudou. Não lá fora.

Eu não espero. Eu respiro, vivo, pauso, penso, contemplo, continuo. Nunca a esperar, sempre a esperar, sempre a passar.

Tomorrow will take it away…

Destacado

“Tomorrow will take us away
Far from home
No one will ever know our names
But the bards’ songs will remain
Tomorrow will take it away
The fear of today
It will be gone”

In my night walk, I was watching the Alpineglow in a puddle left as a remembrance of the almost-ever-present rain. The humidity flowing deep and down my lungs until I finally broke down in a laugh. A lonely and true laugh. Laughing with myself, laughing of myself. Why was I looking down, to a limited upside down reflex? When to see the imensity of it all, all I had to do was to bring my eyes up; have my chin leved with the floor. My natural position.

Environmentally Friendly

Destacado

 Sempre me pego a pensar em opções mais sustentáveis, mas tudo é tão intrincado que acabo apenas com dúvidas sem fim e, se pensar muito, com consciência pesada simplesmente por existir (atenção, isso é uma hipérbole!). Por exemplo, aqui em BC, as pessoas são (ou tentam ser) muito conscientes à respeito dos produtos, especialmente de limpeza, que usam. Esteja certo que qualquer coisa que disser “enviromentally friendly” na embalagem e tiver um tema “verde” e “hippie” vai vender mais, mas quem é que realmente sabe o que faz um detergente menos poluente que o outro? Eu estudei química (técnico) e, embora não seja nada brilhante nessa área, sei, ou compreendo, mais do assunto do que a média da população daqui ou do Brasil; entretanto, não sei essa resposta. Mas essa é só uma das “dúvidas de principiante”, porque se você for aprofundar-se no assunto, vai ter que pensar na embalagem, não só qual o seu material, mas como e por quem foi feita. Vai ter que entender o processo de fabricação da embalagem e como os funcionários daquela indústria chegaram ao seu local de trabalho. Teria que entender como a embalagem chegou a fábrica de detergente, bem como todos os ingredientes para fabricá-lo e o impacto social dessas fábricas nas regiões que se localizam. Daí, para ser justo, deveria-se fazer o mesmo pra pelo menos mais três ou quatro marcas diferentes para ter um comparativo e aí então poder determinar qual o mais “enviromentally friendly”.

 Claro que o detergente foi só mais um exemplo. …Preciso comprar sapatos e não consigo. Não sei de onde vieram, do que são feitos, quem os fez, onde fizeram. Não sei a energia consumida, não compreendo sua decomposição…

Ciente da minha ignorância, acho razoável enquanto tento aprender sobre outras coisas, tentar sempre que possível comprar vegetais (e qualquer coisa mesmo) produzidos localmente ou com aquele simbolozinho de “fair trade”, embora eu não realmente acredite nele.

A verdade é que 24 anos é um tempo muito curto pra ter opiniões formadas sobre a capacidade de mudar do ser humano, mas ando pessimista. Sigo, o mais ecologicamente correta o possível, dentro do que acredito ser correto e possível, mas esses são conceitos debatíveis.

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Esse template não põe data nos meus posts. Isso é um pouco irritante, não?!

Brackendale, 06 de fevereiro de 2011.

More excuses…and a bit of an update

Destacado

Tenho considerado  os meus porques. Por que nao consigo sentar e escrever? E, por que, sinto falta de escrever, e quando tento, nao sai? Por que tenho um blog se tenho mais rascunhos guardados do que posts? Talvez devesse ter um caderno pessoal com todas as coisas que realmente quero expressar… e um blog pra vez ou outra expressar o que quero dividir. Ou ainda, blog nenhum.

As vezes parece que eh um bloqueio linguistico… eu nunca falo portugues e me sinto estranha quando escrevo. Nao sei as palavras corretas e parece uma traducao da Martins Fontes*. “Escreva ingles” diriam meus queridos, mas me faltam palavras e verbos e entendimentos.

Estou num momento de recusa a palavra escrita e tenho 5 noites da semana ocupadas. Pra quem nao sabe, eu trabalho 10h por dia (teoricamente) por 4 dias da semana. Isso significa 7:30-17:30, correr pra a atividade noturna, voltar jantar, tomar banho, ler e dormir e/ou lavar roupa. Claro que isso sao minhas escolha, mas cansa e ocupa tempo.2 noites da semana treinando na bicicleta (indoors) com dois treinadores diferentes, um dia da semana fazendo yoga (nao, nao eh relaxante, mas eh eficiente) e 2 dias da semana trabalhando numa producao de teatro amador (sou responsavel pela iluminacao).

Estou numa fase em que decidi ler um livro besta. Acontece que era bem escrito…e ao inves de aliviar a minha cabeca, fez me ler 385 paginas so pra ver o personagem principal assassinado (pelo autor) numa fatalidade, num acidente bobo, num dia de semana. “Then *** **** (name of the charecter) dies, and everything that she thought or felt vanishes and is gone forever.”  Nao poderia ser mais verossimel e …e… grrrr! E o livro ainda lhe forca a ler mais 4 capitulos da dor do outro personagem e outras banalidades. Thank you very much! xP

Uaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa……………………………………….numa fase onde nao tenho funcionado  ao tentar me expressar atraves da palavra escrita.

Ansiosa pela visita do meu primo, que eh o dia em que, finalmente, meus mundos coincidem.

Ate breve.

Great expectations

Destacado

“We spent as much money as we could and got as little for it as people could make up their minds to give us. We were always more or less miserable, and most of our acquaintance were in the same condition. There was a gay fiction among us that we were constantly enjoying ourselves, and a skeleton truth that we never did. To the best of my belief, our case was in the last aspect a rather common one.”

Charles Dickens, Great Expectations.

Das janelas

Destacado

(sem acentos)

…da sala:

Sempre-verde e coniferas, telhado branco, carros bracos, rua branca. Tudo coberto de inconveniente e bela neve. Aguias e pintura abstrata com tons leves de marrom e branco, branco, branco!  Um Blue J confuso e cachorros passeando. Pessoas… Pessoas correndo, pessoas “varrendo” a neve, pessoas andando, pessoas conversando, pessoas empurrando pessoinhas. Pessoas tomando cafe, pessoas sorrindo.  Telhados , chamines ativas, mais coniferas, montanhas e o ceu. Ah, o ceu! Tons de azul claro, rosa e… hm…branco.

Oh, the places you’ll go!

Destacado

“You can get so confused
that you’ll start in to race
down long and wiggled roads at a break-necking pace
and grind on for miles across weirdish wild space,
headed, I fear, toward a most usless place

The Waiting Place…

…for people just waiting.

Waiting for a train to go
or a bus to come, or a plane to go
or the mail to come, or the rain to go
or the phone to ring, or the snow to snow
or waiting around for a Yes or a No
or waiting for their hair to grow.
Everyone is just waiting.

Waiting for the fish to bite
or waiting for wind to fly a kite
or waiting around for Friday night
or waiting, perhaps, for their uncle Jake
or a pot to boil, or a Better Break
or a string of pearls, or a pair of pants
or a wig with curls, or Another Chance.
Everyone is just waiting.

NO!
That’s not for you!

Somehow you’ll escape
all that waiting and staying.
You’ll find the bright places
where boom bands are playing.”

“Out there things can happen
and frequently do
to people as brainy
and footsy as you.

And when things start to happen,
don’t worry. Don’t stew.
Just go right along.
You’ll start happening too.”

(Dr. Seuss – Oh, the places you’ll go!) – Fora de ordem.

Get up, stand up.

Destacado

It’s all about the mindset.  I read in more books that I’d have liked that humans are not long term planners; at least, not by nature. In my readings, it was suggested that our stubborness to achieve long-term goals is the main reason for our constant frustration and mood swings. They suggested that we change our mind so many times that would be pratically impossible to be true to ourselves following plans and goals.

I believe it’s all about the mindset.  Yes, I believe in planning and in long-term goals, but they are not extended into the unknown. Because for me that’s not planning, that’s dreaming. For example, if I decide that I want to buy something X or to do Y, I don’t let those things hanging. I give them a “dead line” and if when I get there I haven’t , for some reason, been able to accomplish, I re-assess  the situation: my mind, the needs, the wills, the new plans and then I move on to complete or not the goal, with a new dead line.  I also firmly believe that humans can tolerate almost anything depending on the mindset. This particular mindset to tolerate the intolerable is based in will, purpose and time. We need to know WHY (purpose) we should tolerate (it’s usually based in reward in the end), we should know until WHEN (time) and we definitely knowing the two of them have to DECIDE (it’s a counscious proccess) to put our will into doing it. If we do not know when and if the situation will end, although we might have will and purpose, we might not be able to tolerate it.  None of these items (purpose, will and time) can’t be missing or it messes up the mindset.

With that said, I believe that the reason of our constant frustration is not knowing how to set our minds for what is happening. Or  not even understanding that we have the control over all our buttons. 

I’ve been as upset as I can’t even describe. Very likely as upset as I have ever been. I went through  almost all the phases of grief, and I shouldn’t need to. In my sadness I didn’t realize that the only thing that was wrong was my mindset. I should’ve known better. Growing, learning. Growing pains of the mind, just like the ones of the body.  Besides of how to access all my buttons to set my mind right, I also learnt that you gotta believe what is in front of you. After reading so many books about survivals, or not, (holocaust, wild adventures, war children, civil war, etc), I can’t believe I couldn’t see the most obvious lesson that even a zombie movie would give: YOU GOTTA BELIEVE IN WHAT’S HAPPENING and act right away!

It’s all about the mindset.

Despretensões

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As pessoas desconhecidas de que mais admiro as idéias, concordam que não há, necessariamente, virtude na pobreza. Que pobreza não os fez honrados ou sábios. Eles também não encontraram, necessariamente, conforto na riqueza.  Parece-me que os dois chegam a conclusão simples que muitos de nós achamos que encontramos, mas que não conseguimos viver pela palavra que é nossa única resposta e conforto: SIMPLICIDADE.

Enquanto eu, debato-me e reviro-me em meu cérebro pra promover – sem quebrar nenhuma regra – as quatro necessidades básicas da vida, deparo-me com essa palavra (simplicidade) de novo e de novo e de novo. Deparo-me também com meus senso de liberdade.  … (Difícil preencher o espaço dessas reticências, uma vez que o pensamento é verdadeiramente incompleto)

A verdade é que nunca me senti tão enganada (em níveis muito pessoais e particulares) por um governo. Claramente, os papéis e eu têm uma visão diferente sobre o tempo que difere em aproximadamente 730 dias.

  THE PRETENSIONS OF POVERTY

 Thou dost presume too much, poor needy wretch,
 To claim a station in the firmament
 Because thy humble cottage, or thy tub,
 Nurses some lazy or pedantic virtue
 In the cheap sunshine or by shady springs,
 With roots and pot-herbs; where thy right hand,
 Tearing those humane passions from the mind,
 Upon whose stocks fair blooming virtues flourish,
 Degradeth nature, and benumbeth sense,
 And, Gorgon-like, turns active men to stone.
 We not require the dull society
 Of your necessitated temperance,
 Or that unnatural stupidity
 That knows nor joy nor sorrow; nor your forc’d
 Falsely exalted passive fortitude
 Above the active. This low abject brood,
 That fix their seats in mediocrity,
 Become your servile minds; but we advance
 Such virtues only as admit excess,
 Brave, bounteous acts, regal magnificence,
 All-seeing prudence, magnanimity
 That knows no bound, and that heroic virtue
 But patterns only, such as Hercules,
 Achilles, Theseus. Back to thy loath’d cell;
 And when thou seest the new enlightened sphere.
 Study to know but what those worthies were.

(Thomas Carew)

A man is rich in proportion to the number of things he can afford to let alone.” – Thoreau

All that is here are humans

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“…What I have come to realize as the root of it all, however, is the fundamental indifference of the world community to the plight of seven to eight million black Africans in a tiny country that had no strategic or resource value to any world power. An overpopulated little country that turned in on itself and destroyed its own people, as the world watched and yet could not manage to find the political will to intervene. Engraved still in my brain is the judgment of a small group of bureaucrats who came to “asses” the situation in the first weeks of the genocide: ‘We will recommend to our government not to intervene as the risks are high and all that is here are humans.’ ”

LGen. Romeo Dallaire – Shake Hands With The Devil, p. 6.

Being busy… – Update

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Update, just for the heck of it.

“With one big step and one deep breath, I move a little bit closer. I move a little bit closer…”

I am reading Water for Elephants, it was gift from Lisa and Ian. So far, so good. I have no opinions on it yet.  It has a silly premise.

Still listening to a lot of Charlie Winston, Muse, Coheed and Cambria (going to watch them on the 18th) and some Corb Lund.  All mixed up with some good Queen and others.

My (immigration) paperwork is 97% done. Taking longer than it supposed to. It’s okay though, it’s been  assuring me of its quality.

Tomorrow is Thanksgiving dinner. I cannot even list  all my reasons to be thankful. This year has been amazing! It feels very, very long. One of those that  feels like you lived 5 years in 1.

Ayla called me today and every time I talk to her now it’s like if it was the first time I ever did. She changes so fast and I really love being able to, at the very least, watch her grow.  I am trying to build a solid path that she can follow, should she choose to.

Going to eat strawberries and read more. I’ll write more another time. I’m not thinking clearly.

Crossroads of Reality

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Noite passada, dormindo satisfeita depois de ter jogado basquete, sonhei que escrevia. Engracada sao as assimilacoes do nosso cerebro – porque as duas atividades por nao terem nenhuma relacao especifica no mundo exterior ao meu, sao tao intrinsicamente ligadas no meu mundo, nao por serem valvulas de escape, mas por serem vitais ao saudavel organismo Talita.  No meu sonho, escrevia sobre meus medos e politica. Da minha atual abstinencia de opiniao politica, exceto por um sentimento pessimista e apocaliptico de que esta(h) tudo perdido. Os meus medos, entretanto, nao derivam de nenhum governo em si, mas da politicagem social e do total esquecimento do mundo real; devem saber os mais proximos a mim que a vida que tenho vivido nao so nao me pertence, como tambem nao pertence a ninguem. Por mais que isso parece um paradoxo, o que estou a tentar explicar eh que a minha realidade nos ultimos dois anos tem sido quase que completamente desligada da realidade coletiva. Porque tenho vivido um padrao de vida que nunca pertenceu ao meus padroes  e que nao vai pertencer num futuro proximo. Desde a escolha da manteiga ate onde voce quiser esticar o conceito… E por mais que eu tente, eu nao consigo entender como foi a vida antes disso, pra ser completamente sincera, sinto como se fossem duas vidas diferentes…e, de alguma forma, estou para atirar-me no entre-meio delas ou ainda, numa terceira vida.

O correio atrasa as noticias e soh me traz passado.

Este eh o ano internacional da biodiversidade (UN). 2008 foi o ano da batata.

Terrorismos

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(Sem acentos)

Eu nao pesquisei, mas posso afirmar com certa seguranca de que “terrorismo” foi uma palavras mais usadas da ultima decada. (No topo da lista juntamente com ” eu” ,” quero”, ” preciso”,” dinheiro”, “tempo” e “nao”.) E, mesmo sendo tao usada, essa palavra ainda parece-me vaga de significado. Procurei no dicionario e me surpreendi enormemente ao ver que terrorismo eh UMA FORMA DE GOVERNO. Que definicao absurda essa me pareceu. … Pensando em meu particular entendimento do termo, eu nao vejo NENHUM sistema de governo que nao seja terrorista e olha que nem vim aqui pra falar de politica, vim falar de opressao. De  como moldamos nosso mundo em volta de ideias opressoras e “apequenadoras” . Vim apontar meus dedos nos terrorismos do dia-a-dia que toleramos porque… ahn… porque nao sabemos se temos a opcao de nao tolera-los!

O terrorismo do plano de saude, por exemplo. Ou do seguro funerario. Fazendo dinheiro no seu medo de adoecer e mais que isso, no seu medo de fazer dividas. O terrorismo do SPC, ou ainda o terrorismo do ceu e do inferno. O terrorismo da conta bancaria (ja reparou como somos obrigados a ter uma) ou do telefone/internet/meio de comunicacao. O terrorismo dos nossos empregos sempre em risco e o terrorismo que sao todas as chantagens que toleramos mascaradas como o que eh bom (ou certo) pra nos, como a unica verdade…  Vim aqui apontar meus dedos nos nossos medos. Medos diarios, vaos. Vivemos oprimidos pelo nosso medo de NAO TER.

O medo aprisiona.

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“As a child with ocean eyes I smiled
At a world existing just for me ;
Without boxes, borders or boundaries
I built dreams ;
But like plastic building blocks
They were knocked down to the ground
I grew up
To a world of compromise
Analising what it means to dream

I don’t really wanna understand
Everything in my world
It spoils the fun for me
Come on darling you can take my hand
Blowing kisses in the wind
We’ll fly away in our dreams
From the boxes they’ll put us in

Who shall we propose to be ?
Who am I supposed to be ?
With these empty building blocks
I could make a thousand me’s

I don’t really wanna understand
Everything in my world
It spoils the fun for me
Come on darling you can take my hand
Blowing kisses in the wind
We’ll fly away in our dreams
From the boxes they’ll put us in

And I’m told we all fit in
But why should I belong to one thing ?
Who shall we propose to be ?
Who I am supposed to be ?

With these plastic building blocks
I could make a thousand me’s

I don’t really wanna understand
Everything in my world
It spoils the fun for me
Come on darling you can take my hand
Blowing kisses in the wind
We’ll fly away in our dreams
From the boxes they’ll put us in”

(Charlie Winston – Boxes)

Just how I feel today…

BIG!!! BIGBADABOOM!!!!

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Não se pode negar-se o direito de ter medo ou ansiedade e o vital direito de parar e lidar com as situações de dentro pra fora. Porque, afinal, a vida acontece de dentro pra fora e ela transborda você.

Uma bobagem danada transbordou-me de tal forma (comigo mesma) que transformou-se em raiva/frustração/tristeza/alguma-outra-coisa-sem-nome, desnecessariamente.

Ok, lição relembrada.

Next.

Rough Math

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Eu vivi 8790 dias, morei em 7 casas (desde que me lembro). Comecei a trabalhar faz 2423 dias; neste periodo, cerca de 15 empregos diferentes.  Quando nasci havia quase 6bi de pessoas no mundo, agora cerca de 6,859,500,000.

Minhas semanas atuais sao 1/3 trabalhando, 1/3 dormindo e 1/3 vivendo.

Que meus proximos 24 anos sejam bem diferentes desses.

Less is more.

O que me transborda…

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(sem acentos)

Pessoas que me conhecem bem sabem que, embora eu tenha sido bem chorona quando crianca (eu nao suportava gritos, sempre me faziam chorar), eu raramente choro hoje em dia. Nem muito feliz, nem muito triste me faz chorar… Nao eh por nada, nao forco, simplesmente nao acontece.

Hoje, entre outras tarefas, minha chefe pediu que eu desse uma olhada nos sites e agencias de baba pra dar-lhe a minha perspectiva. Estamos a procura de quem entrara em meu lugar e estou mais do que disposta a ajudar. Olhando o perfil de candidata(o)s `a baba, sua nacionalidade, expectativa, o jeito de se expressar e anseios, lagrimas comecaram a escorrer no meu rosto na frente do computador.  Pessoas do Quenia, Georgia, Ukrania, Filipinas, Mexico, Brasil, Bosnia, entre outros… Mal consigo expressar aqui o porque… eh uma mistura de historia e cultura. Eh uma mistura de frustracao e fracasso e alivio e liberdade. Eh o reflexo das sociedades.

Eh o pau, eh a pedra, e nesse caso, eh o comeco do caminho.

Metamorfoses

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Finalmente começo a me sentir um pouco mais confortável.  Depois de quase dois anos sentindo como se fosse um bebê na pele de adulto, começo a descobrir a mim mesma. Sei que vou e espero, sentir-me de novo tão indefesa e ignorante/inexperiente, mas a interrupção, ainda que momentânea, dessa sensação traz alívio.

Descubro outros ângulos da cidade onde moro. Exploro outros arbustos por causa do novo meio de transporte. Não vejo mais a mesma pintura. Vejo também o que o artista não retratou. 

“Non dvcor, dvco. ” Pode parecer besteira, mas viver em São Paulo por tanto tempo colocou o seu lema embaixo da minha pele e no topo da minha cabeça.  Da forma mais literal que se possa entender, eu não gosto de seguir ninguém. Incomoda-me de formas tão irracionais que nem sei explicar.  Claro que, estou tentando chegar à um equilíbrio, porque não acho que isso seja um defeito necessariamente, mas meus instintos irracionais não podem dominar o curso das minhas ações, não sem que eu me pergunte “por quê?”.

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Mais dois amigos despedem-se hoje da minha vida diária. Não, não me acostumei.

Liberdades, escolhas, possibilidades, desejos….

Talvez porque tenha mudado de casa tantas vezes ou é minha genética nômade, mas definitivamente nunca tive o problema de não me sentir em casa e eu amo mudar e movimentar. Mudar coisas de lugar, mudar de cidades, de ares, de casas, de móveis… Sinto-me em casa em qualquer lugar. Consigo dormir tranquila em qualquer lugar e com qualquer tipo de acomodação. Muito, pouco e conforto são palavras sem conceito (nesse sentido) pra mim. Talvez seja porque me sinto bem em minha própria pele. Talvez, mas contrariando tudo isso, recentemente decidi, embora não saiba se será possível (ou se fará sentido), que minha vida adulta vai acontecer em volta de UMA casa. Deixando de lados investimentos e negócios imobiliários, eu quero terrivelmente comprar minha casa. Penso nisso dia e noite. Todos os dias e o tempo todo (é sempre uma das janelinhas piscando na barra de ferramentas da meu desktop mental). Não me entenda errado, amo viajar, conhecer e ainda quero explorar (sem explorar) muito, mas desejo uma morada que compreenda profundamente. Cada encanamento e fio elétrico. A sua fundação, a história de seu bairro, o solo em que foi erguida.

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A vida é tão cheia de possibilidades, tantas coisas que eu ainda não sei e tantas mais que nunca vou saber (e nem saber que não sei!)… Quando, em São Paulo, que eu pensava em trabalhar apenas 6 meses (ou menos) por ano. Tantas pessoas fazem isso aqui!  Trabalham bastante quando trabalham e depois vivem em tempo integral. Que coisa estranha, não?

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Enquanto eu cuido do meu processo de imigração, tento ajudar a família pra quem trabalho achar uma nova babá. As candidatas são: uma brasileira professora de inglês que já fio aupair nos EUA; uma enfermeira peruana com bastante experiência e uma tailandesa com mestrado em …algo. Sorte minha que não tive que competir com esse nível… mas olhe pra esse quadro, não lhe diz algo sobre o mundo? E isso é só uma parte de uma peça de um quebra-cabeças muito maior.

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Ah, crianças! Sempre me pergunto se elas (e nós) querem o que não podem ter por pura teimosia, pra fazer drama e chamar atenção (carência), pra desafiar (o mundo ou outra pessoa) ou se é porque nos incomoda profundamente, desde quando ainda não conseguimos entender, ter nossa liberdade ameaçada. Até mesmo a liberdade de querer ou poder.

Liberdade… liberdade… usamos tanto essa palavra… o que será que ela é?! Alcançável ao menos?

Vida na terra da mãe do vento

Fim-de-semana agitado na terra da chuva e vento. Além de calor e sol fritando, uma corrida (Test of Metal)  que reúne por volta de 1000 ciclistas (mountain bike), mais suas equipes de apoio e voluntários realizou-se hoje. Além disso, ontem, uma “passeata” de bicicleta até o centro da cidade pra abrir as festividades. Hoje também está acontecendo um festival de gaitas de folio ( é esse o nome correto?), um campeonato de baseball e, bandas estarão tocando no centro da cidade também. Amanhã, outra corrida (downhill) chamada Rockstar reúne ainda outros ciclistas.

Nada mal pra uma cidade de 14 mil habitantes.

Para mim, as aventuras começaram às 7 da manhã hoje e é melhor eu ir jantar que a noite vai ser longa.

Minha bicicleta nova deve chegar entre essa segunda e a próxima sexta. Mal posso esperar.

Tirando isso, a vontade de escrever (escrever de verdade) não vem, mas a vontade de vivenciar nunca esteve tão a flor da pele. Um brinde ao mundo real!

A not-so-hard-at-all day

Disse não pra tudo e todos e dei-me o direito ao dia. Por sorte, um magnífico dia de sol e calor!

Arrumei algumas das minhas coisas, preparei-me. Lavei roupas, li, comi bem, ouvi música, andei de skate e agora estou indo para uma corrida. Nada como não ter horários ou comprometimentos!

E há quem não goste de domingos…

Teatro amador comunitário

Essa semana, meio que sem querer, acabei me envolvendo com o grupo de teatro local. Sabia que a apresentação aconteceria, tenho diversos conhecidos atuando, mas eu mesma não estava diretamente envolvida. Foi quando nessa terça feira no “ensaio técnico” que convidaram-me pra assistir e lá, ofereci uma mãozinha e acabei tomada de corpo inteiro.  Em resumo, agora tornei-me responsável por som e luz em 6 noites de apresentações e para 6 peças (de um ato) diferentes . Não é grande coisa ou super difícil… Aperte o botão certo e ganhe a banana e seja um bom macaco, mas foi meio em cima da hora que tive que conhecer todos os roteiros e entender todas as nuances de sensação, etc, etc… O resultado tem sido dois dias divertidos e meio tensos, porque o teatro é antigo e não tinha aparelhagem adequeda. No primeiro dia operei um tipo de equipamento, no segundo, outro totalmente diferente e hoje é a noite de abertura.

…Desejem-me sorte.

Just ‘cause.

Dio, rest in peace.

Nunca pensei que eu fosse fazer um post assim, ou ainda, que fosse vivenciar nada parecido com isso. Parece fútil e bobo, eu sei, diria o mesmo se estivesse em seu lugar, mas realmente senti a morte de Ronnie James Dio. Faleceu hoje, depois de lutar contra um cancêr por alguns meses. Deixou de existir…
Inocência minha, mas acho que realmente acreditei que ele fosse imortal! Ele já era uma lenda quando passei a admirar sua música. Sua música e sua imagem foram importantes para minha infância e quase que essenciais para a minha adolescência. Assisti há pelo menos 2 shows (talvez 3) perfeitos em São Paulo e estava a esperar por um aqui.
Ronald James Padavona, Dio, obrigada e adeus!

“Summer nights are colder now
They’ve taken down the fair
And all the lights have died somehow
Or were they ever there”
(Rainbow Eyes)

“”We believed we’d catch the rainbow
Ride the wind to the sun
Sail away on ships of wonder”
(Catch the Rainbow)

“Kill the king
Tear him down
Kill the king, yeah
Got to take his crown
Crown

Kill the king
He’ll rule no more
Strike him dead
The people roar”
(Kill the King)

“Don’t talk to strangers
‘Cause they’re only there to do you harm
Don’t write in starlight
‘Cause the words may come out real

Don’t hide in doorways
You may find the key that opens up your soul
Don’t go to heaven
‘Cause it’s really only hell

Don’t smell the flowers
They’re an evil drug to make you lose your mind
Don’t dream of women
‘Cause they only bring you down”
(Don’t Talk to Strangers)

Uprising

Música é importante pra mim, porque me inspira, porque me mantém sã, porque marca o ritmo do dia-a-dia, porque me distrai e porque me faz pensar. Infinitos rascunhos escrevi aqui sobre todos os meus cansaços dos últimos dias (da última semana), mas ao invés de postar isso, prefiro postar um pedacinho de uma música que pode ter a ver com todas as minhas “lamúrias” (ou não, depende de como se interpretar).
Em todo caso, eu adoro a banda e fui ao último show deles em Vancouver (espetacular!) e acho que devem ser citados aqui por ser grande parte da minha trilha sonora.

“They’ll try to push drugs
Keep us all dumbed down and hope that
We will never see the truth around
Another promise, another scene, another
A package not to keep us trapped in greed
With all the green belts wrapped around our minds
And endless red tape to keep the truth confined
So come on,
They will not force us
They will stop degrading us
They will not control us
We will be victorious”

Ode à Squamish!

Acho que eu nunca escrevi sobre isso aqui, mas toda vez que saio de casa pela manhã penso em quanta sorte eu tenho de, sem querer, ter encontrado e ter tido oportunidade de morar em um lugar tão majestoso quanto esse.
Não é só ser cercada por montanhas, rios, lagos, MAR. Não é estar há 45min de Vancouver e 35 de Whistler. Não é morar numa das áreas com melhores (e mais técnicas) trilhas de mountain biking do mundo. Não e so a qualidade de vida de poder chegar em qualquer ponto da cidade sem transito, rapido, mesmo de bicicleta. Não!
O que faz esse lugar tao especial para mim, e saber que estou num lugar de gente que se importa. Onde a comunidade se reune para limpar calcadas, construir trilhas, buscar desaparecidos, prender criminosos, reencontrar que desapareceram, etc, etc, etc. E estar numa cidade onde as pessoas acolhem seus imigrantes, sua cultura, suas ideias. Lugar onde nao se desperta raiva ou qualquer outro sentimento destrutivo por falar-se outro idioma na rua.
Aqui, durante curtos 19 meses, tornou-se minha Pasargada sem prostitutas (certeza que as prostitutas estao em algum lugar, mas, enfim…).
Da-me saudade daqui so de pensar em partir. Quando, da minha passagem pelo Brasil dois meses atras, estava ansiosa pra voltar, ver as coisas, talvez de um modo diferente. Sim, aconteceu, a interpretacao do que os olhos veem mudou, mas so me fez gostar mais daqui.
No ultimo domingo, teve abertura de uma trilha (de mountain bike). A PRIMEIRA (das incontaveis) que foi financiada pelo governo (mas construida por moradores). Foi uma grande festa! A comunidade reuniu-se mais uma vez, com bolo, churrasco (com opcaoes vegetarianas) e, claro, muitas bicicletas. Todo mundo subiu a montanha e foi testar a trilha. Eu tive uma otima experiencia com algumas criancas. Subimos a montanha e ficamos ao redor da trilha, assistindo e “torcendo” para quem vinha de bicicleta. O que claro, arrancou muitos sorrisos. Depois as criancas viraram macacos e escondidos na floresta faziam sons aleatorios, que os ciclistas respondiam com entusiasmo. Um pouco mais tarde comecamos uma caminhada aleatoria pela montanha (Diamond Head) ate perdermos a trilha totalmente de vista. Perto do topo, demos “meia volta” e gracas ao bom senso de direcao encontramos nosso caminho de volta. Foi divertido e simples. Engracado como todos nos, independentemente de bichos selvagens e de nos sentirmos perdidos, estavamos sorrindo e nos sentindo estranhamente a vontade. As criancas sao simplesmente maquinas “off-road”… Depois disso fui ainda em outro churrasco espontaneo, onde um monte de amigos se reuniram simplesmente pra trabalhar em um jardim. …
*suspiro*
Espero que esses videos consigam dar uma ideia – ainda que vaga – “da sorte” de que falo.

TEXTO ESCRITO METADE SEM ACENTOS EM COMPUTADOR ALHEIO. DESCULPE.

Incapaz de compreender

Mesmo sem conseguir entender, tentei mostrar compaixão, simpatia e disposição para ajudar se necessário. Se meus intentos tiveram o efeito desejado não sei dizer, mas com certeza fizeram-me pensar mais profundamente no assunto. Inclusive ontem, durante minha corrida, quando pensava nas regras do jogo que eu não inventei, mas que mesmo assim, preciso jogar, fui bruscamente interrompida pela morte. Sempre que corro, na ida ou na volta, acabo por passar ao lado do cemitério, com sua cerca baixinha, grama bem feita, isolamento planejado. Essa passagem nunca causa impacto. É um lugar pacífico e eu não me sinto mal com nossa futilidade, mas ontem, certamente calou todos os meus pensamentos com a sapiência de que nenhum tinha importância diante dos fatos. …
Eles saíram de casa por volta das 19h da segunda-feira e voltaram por volta das 16h da terça. Ao chegar foram recebidos com abraços, chocolates, flores, sorrisos, janta na mesa. Voltavam do hospital, depois de um mês e meio de angústia, uma resolução. O coração do feto não estava mesmo mais a bater e precisava ser retirado do corpo da mãe. A mãe, 41 anos de idade, 3 filhos, trabalhadora em tempo integral, já havia se conformado em largar o emprego e dedicar-se mais efetivamente aos seus frutos, mas o último caiu da árvore antes de amadurecer. A mãe, o pai, e os três irmãos, sentiram uma perda que eu, espero, jamais possa compreender.
Admito que simplesmente não vejo peso na morte do que ainda não era vivo. Ou será que o peso não é da morte do que está literalmente vivo, mas sim da morte de uma idéia? Será que faz mesmo diferença?
Eu não compreendo.
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Ontem foi dia de Vinyl Cafe (aquele que gerou este post). Muito bom. O tema de ontem foi a Primavera. Música local e internacional e uma história sobre Dave (personagem fictício), que encontrou uma planta nascendo no chão de seu carro terrivelmente bagunçado. A planta lhe fez pensar na vida, na morte, no universo e em tudo mais. Não vou reescrever essa história ou nenhuma outra que ouvir porque esse programa tem um livro (e cds) de histórias e o resumo da história e os artistas que tocaram ontem você pode checar aqui.

Educar-se

Depois de coletar panfletos, pesquisar na internet, ler livros à respeito e conversar com pessoas, ainda me sinto completamente ignorante e incompetente para dar mais um passo na direção de uma das coisas mais simples e que iam mais sossegar esse meu “espírito”, para deixar, aí sim, minha mente se ocupar de coisas mais úteis sem tantos pesos.
Hoje, perguntei para mais algumas pessoas “como se faz?” e “como se fez?”. E sempre dizem-me (em entre linhas) que é mais fácil do que parece, mas as situações também, são sempre diferentes. E eu, que tenho achado soluções mesmo antes de ver problemas, não consegui ainda resolver essa.
Penso melhor em movimento, por isso, melhor aproveitar a luz do dia para ir correr e clarear (absorver) as idéias um pouco.
“Doubt is not a pleasant condition, but certainty is absurd.”
(Voltaire)

Winkler

Ontem à noite, deitada mais confortavelmente possível, no escuro e em paz, ouvia um programa na CBC. O programa é apresentado por um contador de histórias, que introduziu um lugar no Canada (uma cidadezinha pequenina e inusitada no interior de Manitoba), através de histórias de pessoas do lugar. Entre uma história e outra, boa música de estilos diferentes, tocava. A sensação geral de estar ali, conhecendo aquele lugar do mapa dentro de mim foi boa, mas em particular, duas histórias chamaram a minha atenção e estão ecoando em minha cabeça desde que acordei.

Eu não queria reescrever as histórias porque sei que isso afetaria seu delicado equilíbrio (idioma+jeito de contar+interpretação), mas minha busca por elas na internet – até agora – foi falha.
A primeira história era sobre o pai (ou talvez a mãe, a minha memória falha) que ia todos os dias ao mercadinho local comprar seu jonal e leite, e levava consigo seu filhinho. O filho, todos os dias, pedia por um daqueles chicletes onde você põe 10 centavos na máquina e gira, o chiclete cai por uma espiral até a portinha onde você o retira. Todos os dias, o pai dava 10 centavos ao filho. Um certo dia, o pai revirou seu bolso mas não lhe sobrava nenhuma moeda. Aproximou-se então um velho senhor, vestido em farrapos e sorrindo um sorriso sem dentes e pôs 10 centavos na mão da criança. Assim, sem dizer nenhuma palavra. A criança sorriu e agradeceu e pegou seu mimo do dia. No dia seguinte, quando o pai e o filho chegaram ao mercadinho, o mesmo senhor estava já com a moeda pronta para engatilhar na máquina de chicletes. E por um bom tempo, isso aconteceu todos os dias. Às vezes, o velho pedinte não tinha uma moeda de dez, mas duas de cinco, ou ainda uma de vinte e cinco. Não importava, ele não falhava em entregar o chiclete ao seu pequeno amigo. Depois de um tempo, o menino começou a esperar por isso e dizia sempre ao pai, “Olha pai, aí vem O Homem Do Dinheiro”. Um dia, o pai foi ao mercado sem o filho e o Senhor pedinte com um olhar desapontado, olhou para o pai e perguntou aflito “cadê o menino?!”. O pai sorriu e disse que aquele, era o primeiro dia de seu filho na escola, no pré. O pedinte, triste, foi sentar num canto, pensativo, desolado. Ele sabia que tinha perdido seu amigo, talvez seu único amigo, talvez só mais um; mas com certeza, a única pessoa no mundo para quem ele era O Homem Do Dinheiro.
Espero que a essência e o sentido da história ainda estejam aí. A segunda história era demasiadamente longa para lembrar-me por completo, mas tentarei um outro dia.
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Like a hobo from a broken home, nothing is gonna stop me.

“Life would be a ding-a-derry, If I only had a brain”
Pobre, Espantalho, ele realmente acreditou nisso.
Ouvi de tantas pessoas tão inteligentes que elas acreditavam que seus cérebros, ou ainda, seu “vício” de pensar, eram (são) uma maldição. Não deveria nossa inteligência nos trazer soluções mais do que nos fazer entender os problemas? Como podem os problemas que criamos serem vitoriosos sobre nossa capacidade de resolvê-los?

Essa última semana foi esquisita pra mim. O fato de ter ficado doente e, tão fisicamente vulnerável, afetou-me em todos os aspectos, inclusive na capacidade de pensar e fazer conexões. Claro, que trabalhando com crianças, lembro da minha infância quase que constantemente. Isso porque sou, logicamente, meu mais preciso referencial. Mas depois de terminar o livro “a long way gone” não consegui parar de pensar no assunto e, claro, as conexões com minha atual ocupação são infinitas e, uma vez mais, comigo mesma. Isso, além de me prover um pouco de entendimento político/social que tanto me falta, fez com que eu lembrasse e tivesse que lidar com coisas há muito enterradas no fundo da minha mente. A nossa máquina-cérebro provou-se uma vez mais precisa não me deixando acessar ou importar-me com esses dados em tempos passados. Não digo que estava desta vez, ou que estarei um dia, pronta para essas coisas, mas antes hoje com um pouco mais de maturidade e esclarecimento do que antes. Talvez um dia no futuro, ainda melhor. …
Provida do descanso que meu corpo necessitava, venho sentindo-me melhor, em como consequência, pensando mais claramente.
Sim, no meio da minha febre, fui ver o show do Muse e não me arrependo. Foi muito bom! E também marca, como antes, a abertura de um tempo de mudanças. Estou animada (embora preocupada, etc, etc).

“Lies, they only stop me from feeling free.”

New post

Este ano está passando muito rápido. Pronto, já é primavera (de novo!)!
Tenho lido coisas muito interessantes ultimamente. Coisas que nunca tinha ouvido falar ou que nunca tinha dedicado pensamentos o suficiente (ou pesquisa) para. Na última National Geographic que li tem um artigo interessantíssimo sobre o povo Nasca e seus misterioso desenhos no terreno deserto do Peru. Também comecei a ler um livro, uma biografia, chamada “A Long Way Gone” de Ishmael Beah contando suas experiências como um “menino soldado” em Sierra Leone. É o tipo de coisa que se sabe que acontece no mundo, acha-se um absurdo, mas ninguém realmente sabe nada a respeito. Essa é a minha maneira de gostar de estudar história contemporânea ou não; com olhos mais pessoais, com pontos de vistas mais pessoais. Mais humanos e menos didáticos. Mais envolvidos do que distanciados. De qualquer forma, o livro é forte, como se pode imaginar e muito interessante, uma vez que não se tem apenas uma idéia do contexto geral, mas entra-se em contato com a cultura local antes e durantes os ataques rebeldes (que ainda continuam).
Entre crianças,leituras, bicicletas, trabalhos aleatórios e burocracia, sinto dor-de-garganta há mais de uma semana. Não dói de verdade e também não vai embora. Devia fazer quase um ano e meio que não ficava doente, mas voltei do Brasil gripada e febril, agora com a garganta dolorida. Deve ser tudo psicossomático (assim que escreve?!) mesmo. Já, já passa.
Tornei-me amiga do cachorro que mora aqui em casa e ela tem me mostrado lugares bacanas e “secretos” onde eu nem imaginava. (…)
Estou bem satisfeita com o tempo presente.
Aí está, mais um post de blog com cara de post de blog.
23:10, preciso dormir. Amanhã é cedo.

A carta das perguntas – Parte 2

Parte 1

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17-Qual o salário de um operário?
Depende de que tipo, depende de onde. Não importa, nao há dinheiro que compense tempo e suor. Todo trabalho pago é degradante

18-Qual a madeira mais barata?
Se não considerarmos os valores monetários, a madeira reciclada.

19-O que é conforto?
Familiaridade e certeza.

20-O que e visível?
Menos de 30% do todo. Ou ainda, qualquer coisa que imaginarmos.

21-Por que um corpo fica doente?
Porque está, de alguma forma, fora de seu equilíbrio.

22-Como se conquista a democracia?
Não se conquista. A democracia é a vontade da maioria. Se a maioria não tem vontade, não há democracia. Se a maioria já demonstra vontade, não importa se o poder é absoluto; estabelece-se a democracia.

23-O que é extradição?
É quando um Estado livra-se de uma ameaça. É a vitória (ainda que temporário) das células brancas do Estado Nacional ao expulsar a idéia (a pessoa de idéias) invasoras e aliens.

24-Onde sentimos os sabores?
No corpo inteiro. Pois depois de captados pela língua e nariz (e olhos e mãos e ouvidos), chega ao cérebro que libera determinadas substâncias que manifestam-se no corpo todo.

25-Por que se diz terceiro mundo?
Essa designação vem da Guerra Fria, inspirada na idéia de Terceiro Estado concebida durante a Revolução Francesa. Na nomenclatura da Guerra Fria, o primeiro mundo era os Estados Unidos e seus aliados; o segundo mundo a União Soviética e seus aliados e o Terceiro Mundo os países não alinhados ou neutros. Hoje em dia, essa nomenclatura mais ou menos coincide com a situação econômica dos países, embora obsoleta.

26-O que é adrenalina?
A substância que seu corpo produz para manter-lhe num estado de alerta. É o hormônio liberado pelas supra-renais em momentos de tensão, stress ou medo. Ele prepara o corpo para o que há de vir, acelerando os batimentos cardíacos, relaxando e contraindo determinados músculos.

Último semestre

O tempo passa mesmo rápido, embora cada dia seja tempo o suficiente para revoluções em qualquer sentido. Os próximos 6 meses são os meus últimos sob o programa Live-in Caregiver e muitas coisas vão mudar para mim. Claro, com toda mudança vem empolgação, medo e ansiedade. Acredito que o mais importante para a sanidade é saber-se o mais preparado possível. Para tanto, é necessário um excercício de prever de acordo com as estatísticas as possíveis pedras no caminho e, mais do que isso, porque isso é mais teórico do que tudo, é necessário – no meu caso – seguir alguns passos para acelerar, ou nem isso, fazer funcionar processos. Um dos meus focos desse ano é o hoje. Pode parecer aquele tipo de besteira de quem tatua “carpe diem” no pulso (e etc); pode parecer o que for, isso não é importante. Importante é que estou focada em construir um hoje forte o suficiente para suportar todo o amanhã. …
Muitos passos, tenho ensaiado ou até começado ao longo desse ano e meio, mas só agora consigo enxergar a real relevância deles. Não vou escrever sobre eles especificamente porque gosto de manter um certo grau de privacidade, mas deixarei aqui um status, segue.

-Passo 1. O telefonema – Mar 09, 2010. Esperar 7 dias. Demorou 2 meses .

-Passo 2. Transporte 1 – May 23, 2010.
-Passo 3. Transporte 2 –
-Passo 4. A conversa – April.
-Passo 5. Meio –
-Passo 6. Equivalência –
-Passo 7. A aposta –

…Enquanto isso a vida segue seu curso rotineiro com aquele gostinho de que tudo mudou e só você sabe.
Minha chefe espera a quarta criança e eu não compreendo esse desejo absurdo de continuar. O meu dia de trabalho continua, entretanto. Bem como a minha vontade.

De dentro para fora

“No começo, bem antes de todo o gesto, de toda iniciativa e de toda vontade deliberada de viajar, o corpo trabalha, à maneira dos metais sob a ação do sol. Na evidência dos elementos, ele se mexe, se dilata, se estende, se distende e modifica seus volumes. Toda genealogia se perde nas águas tépidas de um líquido amniótico, esse banho estelar primitivo onde cintilam as estrelas com as quais, mais tarde, se fabricam mapas do céu, depois topografias luminosas nas quais desponta e se aponta a Estrela do pastor – que meu pai foi o primeiro a me ensinar – entre constelações diversas. O desejo de viagem tem sua confusa origem nessa água lustral, tépida, ele se alimenta estranhamente dessa superfície metafísica e dessa ontologia germinativa. Ninguém se torna nômade impenitente a não ser instruído, pelas horas do ventre materno, arrendondado como um globo, um mapa-múndi. O resto é um pergaminho já escrito.
Mais tarde, muito mais tarde, cada um se descobre nômade ou sedentário, amante de fluxos, transportes, deslocamentos, ou apaixonado por estatismo, imobilismo, raízes. Sem que o saibam, alguns obedecem a tropismos imperiosos, submetem-se aos campos magnéticos hiperbóreos ou setentrionais, voltam-se para o nascente, inclinam-se em direção ao poente, sabem-se mortais, é verdade, mas sentem-se como fragmentos de eternidade destinados a se mover num planeta finito – estes vivem de forma semelhante à energia que neles atua e que anima o resto do mundo; de maneira igualmente cega, outros experimentam o desejo de enraizamento, conhecem os prazeres do local e desconfiam do global. Os primeiros amam a estrada, longa e interminável, sinuosa e ziguezagueante; os segundos se comprazem com a toca, sombria e profunda, úmida e misteriosa. Esses dois princípios existem menos em estado puro, à maneira de arquétipos, do que como componentes indiscerníveis na particularidade de cada indivíduo.
Para figurar esses dois modos de ser no mundo, a narrativa genealógica e mitológica produziu o pastor e o camponês. Esses dois mundos se afirmam e se opõe. Com o passar do tempo, tornam-se pretexto teórico para questões metafísicas, ideológicas e depois políticas. Cosmopolitismo dos viajantes nômades contra nacionalismo dos camponeses sedentários, a oposição agita a história desde o neolítico até as formas mais contemporâneas do imperialismo. Ela atormenta ainda as consciências no horizonte imediato do projeto europeu ou, mais distante, mas igualmente certo, do Estado Universal. “

(Michel Onfray, Teoria da Viagem)

Você…

Você se lê em todo lugar.
Nos livros de qualquer autor, na pichação do muro, na placa dos carros, nos filmes dublados e legendados. Você se lê nas peças de teatro, nas contradições da opinião pública, nas pinturas, na música, na religião, na ciência. Você se lê no discurso do professor de física ateu e na reza da freira que pede doações. Você se lê, se vê e se ouve em todo lugar. O mundo que você experimenta é um reflexo seu. Nem mais limpo, nem mais sujo; nem mais sábio ou ignorante. Você. Quem poderia lhe contar a única verdade que você não quer ver?
Perdido entre a fuga e a coragem, olhos com destino desconhecido mas visão voltada para dentro, você encontra a sua mente em todo lugar. Suas perguntas e suas respostas jogadas no pavimento, escarradas em palavras alheias. O mundo é apenas sua interpretação e como você interaje com ela.

Tired of Bullshit!

Só o caos salva! Sem caos não há revolução…
O desastre natural que aconteceu no Haiti fez com que diversas pessoas viessem conversar comigo sobre política essa semana. Por algum motivo acham que tenho um interesse extraordinário em política, desculpe decepcioná-los mas não tenho. Meu interesse não passa do que eu considero deveria ser o normal. É interesse pelo que está acontecendo ao meu redor e é culpa/mérito de quem. Claro, que essa mera e pequena curiosidade, acaba a levar-me a um entendimento um pouquinho mais claro no meio dessa ignorante escuridão de palavras difíceis, jargões e academicismos de toda sorte. De qualquer forma, isso também acaba levando alguns ao – aparentemente – fácil engano de que eles devem expressar sua opinião a mim, como se isso fosse fazer alguma diferença.
Nosso primeiro país independente latino-americano vêm afundado em miséria, desgovernança e uma série de outros problemas quase desde o início. Será que ilustra dizer que tornou-se um país independente depois de uma rebelião escravista?! Será que ajuda a ilustrar dizer que já teve que recorrer a ajuda militar de outros países diversas vezes, já teve ditadores, já sofreu mortal discriminação de seus vizinhos e tem missões de paz de diversos países para “reconstrução da democracia”. Claro, que para brasileiros é simples dizer “eu já sabia”, uma vez que nossas tropas estão no Haiti desde 1999, e lideramos a tal “missão de paz” (seja-lá-o-que-isso-quer-dizer) desde 2004. (Até o Caetano Veloso compôs a música “Haiti” em 1993!) Mas será que em outras partes do mundo se fala de Haiti? No Brasil, sabemos porque nossas tropas não vão pra muitos lugares, mas em países onde as tropas estão em mais lugares do seus cidadãos podem imaginar – considerando que as pessoas são igualmente desinteressadas em todos os lugares – , será que se ouve falar de Haiti? Será que se ouve falar de Quenia? Será que as pessoas sequer sabem onde esses países ficam? Hm…
Nesta semana, entretanto, essa foi a conversa nas mesas de bar ou da cafeteria. Passou por e-mail, orkut, facebook, msn, twitter… No Brasil, no Canada, no Eua, na Alemanha, no Japão…Pessoas expressaram a sua tristeza pelo que aconteceu, seu interesse, sua vontade de ajudar. Pessoas expressaram sua humanidade… (atrasados, mas não tarde demais!) O que aconteceu no Haiti é mais uma (sem querer redundante mas já sendo) repetição da lama que nos afundamos. Pagamos com vidas o preço do desinteresse, da desatenção, da banalidade que nos parece a desigualdade e a corrupção. Desastres naturais podem muitas vezes ser previstos, aparentemente não desta vez, mas o que a natureza fez pelo Haiti enquanto tirou tantas vidas, foi voltar os olhos do mundo para ele. Uma pena que tenha que ser assim…

Aliás, você se lembra dos últimos tsunamis? O mundo todo abalou-se e contorceu-se de PENA, mas… como é que estão esses países hoje? Quais eram mesmo?…

Excuses

… sem vontade ou foco pra escrever no blog.
Hiperatividade aguda, seguida de sono massivo está em seu auge por esses dias. Na minha cabeça tudo acontece em torno dos próximos 8 meses e de como estar preparada para eles e de como fazer o tempo passar rápido, usando-o da melhor forma possível.
Sim! Ansiedades, preocupações, planos e presente.
You gotta stand up to live if you want to sit down to write, right?! So there I go…

Hard to understand, harder to make it possible.

Today my 10 years old neighbour asked me if I have any brothers or sisters. I told her that I have a 28yrs old brother and without a pause, she asked me where does he live. When I answered her question her little face opened in a weird expression with visible watered eyes and her words that I cannot recall said that she couldn’t understand how I could do it. She told me then that she is always fighting with her sisters, but she couldn’t see herself away from them. My answer was a sad nod.

One is not born, one becomes.

Ômega foi a primeira coisa ao ver ao acordar. Acima dela, a lua cheia, brilhando com o sol nascente. Azul meio escuro. Fechou os olhos por mais alguns momentos, em estado alpha; aquele entre o dormir e o acordar. Não sabia qual das duas realidades era real; o sonho ou a vida, mas não importava, eram iguais. As duas encontravam-se nesse entre-meio suspenso naquilo e nisto. Misturando-se tão homogeneamente que nem a luz intrusa de tungstênio poderia separar. De qualquer forma, encarou aquela luz; a que vinha de dentro. Quem a teria acendido? Os olhos! Definitivamente foram os olhos que a acenderam. Púpila ligeiramente dilatada e uma inspiração imperceptivelmente mais longa, mas o cérebro precisa de mais, demanda um bocejo. O corpo, tomando ciência de si nesse sonho misto de amarelo, se estica e se retorce, como se não houvessem ossos ou limites. Tomada primeiro a consciência do meio, depois de estar, depois do quando, depois de onde, depois do que ou porquê.
Despido do que o cobria, sem frio, põe os pés no chão. O pé reconhece o chão e o chama de dia. Quando o pé encontra o chão, o dia começa.

ABC

Outro dia estava assistindo um episódio de Vila Sésamo chamado “Sing Along” e entre outras muitas músicas (desconhecidas), cantaram a popular música do alfabeto. Começou com uma menina loirinha e apática de cabelo alisado cantando da forma mais graciosa que conseguia “A, B,C, D…” e quando ela chegou na letra G o pianista solicitou que todos cantassem junto. O resto das crianças e adultos em volta da loirinha começaram também em tom sacro “H, I, J, K…”. Tentei imaginar se eu fosse de uma outra cultura não ocidental e não tivesse idéia do que eles falavam… talvez o som do ABC  levasse-me a uma experiência transcedental, talvez eu chorasse, talvez eu achasse que deus estava ali tamanha a solenidade da canção. Depois, tentei imaginar caso eu fosse oficialmente de outro planeta… se eu pudesse contar cada vez cada canção é cantada, (incluindo reprises de programa de televisão), eu acreditaria que essa era a mais importante canção jamais escrita, que ela carrega fortes traços dos conceitos e valores desse planeta… e talvez seja isso mesmo.

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Isso lembrou-me de uma passagem do livro O Apanhador do Campo de Centeio, mas eu não consegui achar agora. Se eu achar, postarei aqui.

Reversible

Felt that some details were slipping away from my short memory, so I tried to see São Paulo from a satellite picture, even though very clear, that was not the angle I used to see and to remember it, and funny thing this mind of mine, it made me nauseous – literally – to see the place that didn’t mark my steps on, from such a great distance. My next words will sound controversy even for myself, but I dare to say – and I do not consider this the true besides the feeling that occurs to me right now –  it seems to me that the people doesn’t matter, what really leaves an impression are the places. It seems that I recall more easily the sensations caused by the environment itself than for the people living in it. Which is absurd, once that an environment is made of everything that inhabited it, even if just for a blink of eyes. Also it’s a very awkward feeling, once that living the moment, it feels like doesn’t matter where, it matters who, however when it becomes past, it’s where my most vivid memory.
Einstein said that – or somebody said that he did – “as far as the laws of mathematics refer to reality, they are not certain; and as far as they are certain they do not refer to reality.”
and that’s the only way I could justify – if needed – this thought of mine, if you know what I mean.

The craft

“Old bureaucrat, my comrade, it is not you who are to blame. No one ever helped you to scape. You, like a termite, built your peace by blocking up with cement every chink and cranny through which the light might pierce. You rolled yourself up into a ball in your genteel security, in routine, in the stifling conventions of provincial life, raising a modest rampart against the winds and the tides and the stars. You have chosen not to be perturbed by great problems, having trouble enough to forget your own fate as man. You are not the dweller upon an errant planet and do not ask yourself question to which there are no answers. You are a petty bourgeois of (…) . Nobody grasped you by the shoulder while there was still time. Now the clay of which you were shaped has dried and hardened, and naught in you will ever awaken the sleeping musician, the poet, the astronomer that possibly inhabited you in the beginning.”

Only one heart

Organizando papéis em meu quarto achei, entre outros, este pequenino texto que escrevi há bons meses atrás e decidi que, com algumas sutis alterações (para facilitar o entendimento), era hora de publicá-lo, porque ele reflete a minha real e atual opinião a respeito do assunto.

Por que é tão frustrante relacionar-se?

Porque quando você se relaciona, você não se relaciona com aquele cara legal que você conheceu no parque num domingo de manhã quando precisou de ajuda com a bicicleta. Você não se relaciona com aquele menina linda e inteligente que estava entediada na festa. Não se relaciona com o seu colega mais simpático da escola, não! Você se relaciona com a história dessa pessoa; com seus fantasmas, com a sua genética, com todos os anseios de futuro que estavam na vida dela bem antes de você.
Talvez seja por isso que os casamentos antigamente duravam mais, as mulheres não pareciam ter muitos outros planos além de casar e ter filhos, de resto, aparentemente, tanto fazia. Mas hoje em dia, todos nós, mulheres e homens, já nascemos planejando, sonhando e querendo. E quão dificil é ter sonhos parecidos tendo histórias diferentes! Ou ainda, quantos desses sonhos, idéias, planos e quereres não são deixados para trás por causa de um outro alguém…
E eu não sei qual é o nosso mal: querer tantas coisas ou tentar nos partir em dois, enquanto em dupla, tentamos nos tornar um.

Filtros

Conceitos e preconceitos. Crenças e descrenças.

 As coisas mais importantes para mim e que não permito que ninguém entre no caminho – e não quero entrar no caminho de ninguém – são paixão, família e amigos. (Sendo que os últimos dois frequentemente se misturam.)
– Paixão: aquilo que um indivíduo faz por puro prazer (muitas vezes é sua profissão ou hobbie). Que dedica tempo – mesmo que às vezes secreto. Que o faz levantar da cama todos os dias, que o faz querer mais.
– Família: auto-explicativo.
– Amigos: Seria auto-explicativo, mas quero acrescentar, que pra mim, o tempo de amizade e/ou o tempo que vai durar não é importante. Os amigos que ficam acabam virando família e os que vão não são menos importantes no tempo que estão. A convivência com eles é primordial! Acredito que querendo ou não somos animais políticos e sociais, abstinência da convivência em “grupo” causa frustração entre outros pesos.
Por perto de mim, prefiro pessoas egoístas. Sim, egoístas! Egoístas o suficiente para serem sinceras consigo mesmas e, por consequência, com quem quer que seja. Pessoas “altruístas” são o pior tipo de egoístas, pois negligenciam à si mesmas para posteriormente sentirem-se usadas (“depois de tudo o que eu fiz por você!”).
Prefiro também que não sejam sentimentais. Sentimento sobre razão tende a não funcionar perto de mim. Sentimentalistas vivem num mundo dramático (dramatúrgico?) que eu não compreendo. Neste mundo, só existe eles mesmos e todos os outros são robôs insensíveis. Essas pessoas tendem a deprimir-se ou ofender-se com frequência ou serem bobos alegres o tempo todo.. Em geral, não conseguem tirar proveito de nenhuma sensação confundindo intensidade com exagero e preocupando-se mais com demonstrar do que com realmente sentir. Na minha experiência, pessoas com essa característica tendem a achar que se você não mostrou é porque não sentiu. Observei também um excesso de palavras e ausência de atos de acordo, além de uma tremenda incapacidade de “colocar-se no lugar” de qualquer um.
Não acredito na beleza de datas especiais ou romantismo agendado.
Não acredito em perda de tempo. É preciso uma mente muito diminuta para considerar qualquer situação como perda de tempo. Dentro disso, ainda que o tempo – se existisse – pudesse ser mais utilmente aproveitado (e eu falo de aproveitamento não de perda ou ganho), se não foi, o único “culpado” é o que não o fez e não qualquer outra pessoa. Somos responsáveis por tudo que nos acontece, não necessariamente culpados.

A carta das perguntas – Parte 1

Recebi uma carta – já faz um bom tempo – onde só haviam perguntas. Pus me a responder uma por dia para mim mesma. As respostas provavelmente mudaram e mudarão novamente, mas decidi respondê-la por aqui, um pouco por dia. Permitam-me. Permitam-se.

1- Como funciona o olho?
Em resumo, o olho capta através de uma abertura o espectro de luz refletido por um objeto (por exemplo) e o transforma em impulso elétrico a ser interpretado pelo cérebro.

2-Qual é o sentido que temos mais aflorado?
O de dentro.

3-O que é dor?
É o sintoma do perigo.

4-Da onde se obtém o papel?
De fibras vegetais.

5-Quando começou a se vender água engarrafada?
Provavelmente logo depois que inventaram a garrafa.

6-O que é exótico?
Qualquer coisa que não é familiar.

7-Quando estamos em uma situação de risco?
Sempre.

8- O que é alienação?
É não saber que não se sabe.

9-De que forma a clonagem beneficia a sociedade?
A sociedade de forma geral, nenhuma.

10-A violência é algo que se aprende?
É algo que se aprimora.

11-Qual é a madeira mais cara?
Eucalipto. Quando o eucalipto dominar todas as florestas existentes, nós pagaremos com nossas vidas.

12-Quantos tipos de raça humana existem?
Tenho três teorias diferentes para responder a mesma pergunta. Ainda não me decidi.

13-Há diferença entre o original e o clonado?
A data de fabricação.

14-O que é uma larva?
Qualquer forma animal em desenvolvimento.

15-Onde a água é armazenada?
Em porões mormons, em reservatórios públicos, em leitos bem abaixo da superfície.

16-O que é independência?
Escrevi um texto inteirio sobre isso, mas não vou postar agora, em resumo:

Independência é ser liberto de influências, poderes, lideranças ou controles. É a não necessidade de suporte de qualquer tipo que seja. Auto-suficiência no sentido mais abrangente possível.

We seem to be defying the laws of gravity

Here, is what we should never forget: there are NO EVIL. There are NO GOOD. There are NO HEROES. There are JUST MEN.

“Soldiers! Don’t give yourselves to brutes, men who despise you, enslave you; who regiment your lives, tell you what to do, what to think and what to feel! Who drill you, diet you, treat you like cattle, use you as cannon fodder. Don’t give yourselves to these unnatural men – machine men with machine minds and machine hearts! You are not machines, you are not cattle, you are men! You have the love of humanity in your hearts! You don’t hate! Only the unloved hate; the unloved and the unnatural. Soldiers! Don’t fight for slavery! Fight for liberty! In the seventeenth chapter of St. Luke, it is written that the kingdom of God is within man, not one man nor a group of men, but in all men! In you!” (The Jewish Barber in The  Great Dictator, by Charlie Chaplin, 1940.)

grav·i·ty (grv-t)
n.
1. Physics
a. The natural force of attraction exerted by a celestial body, such as Earth, upon objects at or near its surface, tending to draw them toward the center of the body.
b. The natural force of attraction between any two massive bodies, which is directly proportional to the product of their masses and inversely proportional to the square of the distance between them.
c. Gravitation.
2. Grave consequence; seriousness or importance: They are still quite unaware of the gravity of their problems.
3. Solemnity or dignity of manner.

Novembro

Esse fim-de-semana (que começou na sexta) está sendo impressionantemente muito bom. Tão bom que faz com que eu me sinta sã como eu já não me sentia ha algum tempo.  Tudo começou com um pequeno pedaço de papel colorido que chegou pelo correio (nova permissão de trabalho/visto) e, depois disso, fluiu. Fluíram as minhas ações que uma atrás da outra colocaram tudo (seguro social, seguro de saúde, carta de motorista, impostos, banco) em dia.  E mais uma vez impressionei-me com o atendimento dos funcionários públicos canadenses. Bom dia e boa tarde, conversas e sorrisos. Serviço rápido e preciso. Demorou-me nem meia hora pra resolver três burocracias diferentes e, acredite ou não, foram trinta minutos extremamente agradáveis. Na verdade, o que fez com que demorasse “tanto” foi o fato de eu ter que ir num escritório diferente (ha uma quadra de distância), mas não achar o escritório. Andar duas vezes o mesmo quarteirão pra ver o que estava na frente dos meus olhos. Mesmo com a chuva, ao invés de enfurecer-me, achei graça.

Depois disso, faz com que eu me sinta bem resolver um problema que vem se arrastando pelo tempo da minha existência. Voltei a ver com clareza e, dessa vez, estou sendo literal (fui ao oftamologista que determinou o grau de imprecisão dos meus olhos e recomendou-me óculos, os quais já foram feitos). 

Além de tudo, minha cabeça fervilha com idéias e oportunidades que já estão se transformando em planos e projetos que começam a encaminhar-se não tão devagar quanto eu esperava.

Também fui à venda de livros na biblioteca. Eu adoro quando eles vendem livros. É ridiculamente barato e eu sei que o dinheiro e o espaço vão pra livros novos. Mesmo que não fosse tão barato, ainda seria um bom negócio. Comprei cerca de 9 livros por $2,75.  Entre eles dois dicionários, um de russo e o outro de francês. O meu antigo dicionário de francês eu acabei dando pra um menino do Quebec ano passado. Esse menino chegou aqui (em BC) 4 meses antes de mim. Fiquei um tempão sem vê-lo até que o basquete começou de novo e, pro meu espanto, o inglês dele não melhorou em nada. Uma tristeza! (Se alguém perguntar do meu francês digamos que ainda vai triste, mas ainda não decadente! :) )

Essa semana que passou também foi boa no quesito experimentações. Patinei no gelo pela primeira vez. Achei fácil, difícil é parar!  Os patins que aluguei tinham a lâmina com acabamento chato (quadrado), o que não ajuda muito na hora de inclinar pra parar, mas tudo bem, foi divertido e eu não matei ninguém. Ah sim, depois que o ringue fechou pra patinação, nem 10 minutos depois (depois de consertarem o gelo) dois times começaram a jogar Hockey. Eu que nunca vi e nem entendo nada, fiquei curiosa. Assisti o primeiro período (de 3) e ganhei explicações, daí fui tomar sorvete.

Mantendo-me ocupada. Olhando para frente, mas não me preocupando em prever o imprevisível.

Um post bobinho, porque eu achei que o blog estava precisando de uma dose de fatos. Além do mais, as coisas que fazem bem não são sempre grandiosas. Eu quero lembrar desses dias e é por isso que os registro aqui.

Até breve!

Simplify, says Thoreau!

It always have amazed me that somehow the hidden pieces of this random puzzle can fit together. Of course, we’re not able to see, or notice, or believe at first, but it unmistakably does.

I’ve been looking for a way to put those words together to explain that misunderstood – even for me – feeling buried in me, unaware that Thoreau did it for me. I wrote before that the experiences are the writer’s fuel, and after that in so many other ways I’ve tried to express this and it was frequently mistaken as a poor excuse to justify impulsive behaviour, when it was indeed exactly what I’ve claimed before: fuel.

“How vain it is to sit down to write when you have not stood up to live.” -Henry David Thoreau

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This is a really bad example, once that it ‘s something so small and personal, but every time I stop to read him again, I feel like I am having an epiphany.

Cold War

“We wise grown-ups often advise our children
‘Stop fighting, you will hurt each other,’
 then calmly proceed to annihilate one another.”

I am not fighting this war.
I am not playing this or any other games, as I was never before.
I am refusing to hurt more than it’s needed, or to be hurted.
I am not going to forget even fearing to be forgotten or misplaced,
I am not going to distrust myself or the past I believed in.

Leave the drama for your mama

Cansada de servir à conveniência alheia como a asa de uma xícara que não voa.

Porque evita-se atritos e age-se, teoricamente, usando-se a razão, mas depois entende-se que a razão e o sentimentalismo são só partes da mesma coisa e que a lógica passa longe de tudo isso. Usar-se da paciência que não existe é um abuso das relativas “leis” da física! Além do mais, só se pode receber uma reação de mesma força e sentido oposto quando descobre-se qual sentido a ação efetuou-se.

Recusando-me a cobrar resultados de qualquer um que não senão de mim, faz com que eu assuma que cada um é suficientemente hábil para ser responsável por si, mas deuses(!), como é ridículo acreditar que as palavrinhas responsabilidade e caráter tem o mesmo sentido, peso, força e significados em todas traduções e interpretações.

Não tenho exata noção de pra onde é que vou, mas sei que agora estou no meu caminho. E eu não quero nada do que era antes…

Deixei impressões estranhas e erradas. Consenti com planos que não pertenciam-me, acatei idéias, discuti possibilidades, mas não. Nada do que parecia ser uma vida pra mim; não ouvi ninguém. Nem as vozes gritando lá dentro.  Enganei-me.  Quis, quis com toda força que encontrei e  com toda força que inventei. …

Não. Agora não.

Agora sigo só, agora planejo só, agora conquisto só.

E é assim que deve ser. Sê completo em si primeiro.

Within

Slavery, starvation, survival, futility of life, racism, human decadence and sugar. Matters that affect me even when I close my eyes to sleep or sit in the privacy of the almighty porcelain.
I don’t look for it, it comes to me. It doesn’t fill my eyes when I look around, just because I don’t want to. Like everybody else, I have tried to ignore, to pretend it’s not there. It’s everywhere, but I look through it. But it fills my mind in the daylight, it screams for me WHAT ARE GOING TO DO? WHAT ARE GOING TO DO? And mumbling ashamed, I answer: I don’t know.

A arte de ter prazer

Dessa vez não eram fantasmas de barcos negreiros, não eram soldados em uniformes pomposos latindo ordem em línguas desconhecidas, não era o fim do mundo em sua onda de calor, não era sequer a impaciência por ter a pele da mão desidratada ardendo. Dessa vez, ao lavar a louça estava totalmente absorta na tarefa e não pensava em mais nada. É verdade, estava ali, água, mão, sabão, esponja…quinze anos atrás. Gostava de estar ali, gostava da tarefa e a executava com prazer e muita espuma. Além, é claro, do máximo de atenção que conseguia (o que não era muito) pra não deixar a louça escorregar das mãos. Era quase tudo de vidro transparente: os pratos, os copos, as saladeiras. Sua mãe, provavelmente, ganhara tudo aquilo no seu enxoval de casamento, uns quatorze anos antes daquela noite em particular. A água, sempre fria, escorregando pelos dedinhos destrambelhados e cheios de colóides, refrescava. Mas a sua parte preferida mesmo era ver as gotículas de água escorrerem do vidro depois de lavado. Se não escorressem com perfeição – rápida e fluidamente, sem intervalos -, não era bom o suficiente e seria re-lavado.
Quinze anos depois, todos os pratos já foram quebrados, os copos já voaram de janelas e a saladeira é a única que permanece. A saladeira e a lembrança que invadiu a cabeça tão vividamente, a ponto de acreditar-se que era o mesmo dia. A ponto de confundir-se. Quando finalmente percebeu o que era o passado e o que era o presente, não sentiu medo do truque que sua mente a pregou. Não, ficou feliz. Ficou mais leve. Tornou-se mais jovem. Tornou-se mais ela mesma.
Lavou de novo o copo de vidro.

Astronauta de fechaduras

O que é necessário além daquilo que é fisiológico?

Até que ponto nossos sentimentos e “necessidades” não são fisiológicos?

Como saber se o fisiológico não é também inventado (como todo o resto)?

Deveríamos nós suprir nossas “necessidades” inventadas?

Onde é a fronteira entre querer e precisar?

Qual é a diferença entre necessidade psicológica, física ou material?

Como é que se decide qual “necessidade” é prioritária?

Existe alguma diferença na satisfação de suprir ‘necessidades” inventadas ou não?

Seria a satisfação uma “necessidade” maior do que qualquer outra?

Querer e satisfazer são opostos?

Pergunto-me da minha necessidade em esclarecer-me estas questões e parece-me importante (e impossível) para satisfazer todo o “resto”.

Tempo e ciência de si

Engraçado. Logo após escrever um post sobre saudade e nostalgia, reparei que o relógio desse blog (que não aparece mais porque eu mudei o layout) estava, por algum motivo, no horário do Brasil. E não é a distância (e por consequência a falta) apenas uma variação de tempo?

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Ouço o trem passar com clareza, mesmo que, fisicamente, ao longe.

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Desde que comecei a praticar mountain biking, tenho ouvido muitos conselhos de como se reagir na floresta. No final, todas as pessoas, que falam porque não conseguem selar os lábios, concluem “siga seus instintos”. Quais são os nossos instintos? Conseguimos mesmo diferenciá-los em meio as correntes de pensamentos e substâncias químicas? Quando alerto a Teagan (2 anos de idade) sobre algum “perigo”, enquanto ela anda com sua bicicleta sem pedais pela calma rua, a primeira reação dela é parar, mesmo que eu a tenha mandando correr. Eu explico, insisto, que ela precisa se mover e, ela, que confia em mim, continua parada até que o perigo passe ou diminua. Por que isso? Qual é o instinto? O bicho humano não poderia estar mais perdido na imensa floresta do “ser”.

…porque é impossível ser-se plenamente quando se tem consciência de que se é.

Cegueiras, chances, urgências…

Foi urgente, urgentíssimo, assim como esse blog. Comprei MAIS UM caderno pra qualquer coisa. O mais baratinho, é verdade. Só precisava escrever e tinha que ser naquele instante. Estaria eu me tornando uma pessoa imediatista? Será que sempre fui?

É provável que esse blog comece com textos cortados e quebrados. Porque assim são/estão/foram os pensamentos que os causaram.
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Outro dia, já deve fazer quase um mês, eu estava viajando – não me lembro bem onde ou tão pouco sei se era carona de estranho ou conhecido -, vi uma cena que marcou-me tanto, mesmo naquela pequena fração de segundos do carro em movimento na estrada, que ainda penso nela. Vi uma mulher parada em frente a uma placa de uma igreja qualquer. Uma cena normal, não fosse a placa estar em branco…
Cocei meu olhos e olhei mais uma vez perguntando-me em silêncio nos olhos de quem estava a cegueira. Claro, aquela mulher poderia estar ali por qualquer motivo, mas valho-me da conveniência de propor (inventar) uma realidade e, na minha realidade, ela está a inventar a dela.
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Tenho sentido saudades de pessoas. Ou melhor, para ser sincera (precisa), da maioria das pessoas sinto mais nostalgia do que saudade. Isso porque sei que não é possível sermos o que éramos e, o que sinto, é saudade do conforto desses tempos; chamo isso de Nostalgia.Há pessoas que não importa o que são o que eles são agora ou mesmo como as coisas serão, parece que sempre será familiar e confortável e, de alguma forma, quase metafísica (porque eu não sei a explicação), eu sei. Seja lá como for essa saudade nostágica chegou a atrapalhar-me. Não, não me sinto só e nem me senti, mas tive problemas para enxergar a minha “sorte” (privilégio).
Discutia minhas (im)possibilidades (?) com um amigo nascido aqui. Ele enxerga o mundo de uma forma que eu não esperava para uma pessoa nascida com “sorte” (privilégio), e me disse: “Vocë sabe que é totalmente possível (realizável), não sabe?!” Não, eu não sabia, mas disse que sim, porque soube naquele instante. Se eu acreditasse que ele era cego para as impossibilidades da vida, automaticamente teria que considerar-me cega para o que é possível e está diante de mim. Nós dois enxergamos, mesmo que as chances (possíveis ou não) fujam à nossa compreensão.

Primeiro/first

Não gosto do nome desse blog. Já de cara uma reclamação… Não estou particularmente criativa hoje, então por enquanto fica esse nome até eu pensar em algo melhor.

Fiquei chateada quando percebi que perdi o domínio do chihiro.blogger. Penso em assinar a globo só por um mês, pra terminar de tirar todos os meus arquivos de lá… 

Escreverei mais, muito mais em breve.  Estou em horas de trabalho agora.